Quando a porta se fecha

O amor não correspondido
arde como vela em corrente de ar 
luz teimosa que insiste,
mesmo sabendo que vai apagar.

A perca não é do outro,
é da parte de nós que ficou à espera,
do gesto que nunca veio,
do toque que a alma quis, mas desespera.

Bati na porta do talvez,
e ela não se abriu.
O som da recusa ecoou em mim
como trovão num céu vazio.

Mas dizem que quando a porta fecha,
uma janela se atreve a nascer 
e talvez nela viva a oportunidade
de um amor que não doa,
mas que saiba permanecer.

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