Alma? Eu já nem sei se tenho!
Já lhe rezaram a extrema - Unção e
Vestiram-na do negro mais negro do luto.
Fizeram-lhe uma casa do mais puro lenho,
Pintaram-na com a cor da desilusão,
De negro! Do negro mais negro e absoluto.
Há! Mas da corte não serei o bobo nem irei...
Por esse caminho!
Só irei onde me levar a minha vontade e
Ninguém me chorará nesse cortejo.
Não pisarei essa calçada...,
Nem forrada de arminho!
Recuso-me a ser troféu da vossa vaidade
E não serei repasto desse vosso desejo.
E não me deixarei vencer!
Nas vossas fraquezas buscarei a coragem
Para prosseguir, e cantar primaveras em flor.
Com o velho lápis vos cantarei a escrever
Mas não vos tirarei a roupagem
Para que entre em vós esta minha dor.
Serei/farei tudo o que quiserem!
Do espelho, palidez profunda;
Dos vossos pés, sedoso arminho.
Mas façam-me o que fizerem
E mesmo com a alma moribunda
Não irei por esse caminho!
António Maria
Cedido por António Maria
