Cai a noite dentro de mim
Como um véu pesado de silêncio
Há vozes que não dormem
Presas no fundo do peito
Carrego nomes que perdi
E promessas mal ditas
Sou feita de ruínas suaves
E de fé que ainda respira
Se eu fechar os olhos agora
O abismo chama meu nome
Mas há uma chama frágil
Que se recusa a morrer
Ergue-te, alma ferida
Mesmo coberta de dor
Das cinzas nasce o grito
Que desafia o medo e o amor
Eu não sou só a queda
Sou o eco depois do fim
Entre sombras e luz quebrada
Ainda estou aqui,
De pé dentro de mim
O espelho não me responde
Só devolve o que escondi
As lágrimas viram rios
Onde aprendi a resistir
Há uma guerra calma
No centro do meu ser
Entre deixar-me partir
Ou aprender a viver
O passado pesa como ferro
Mas não dita meu destino
Cada cicatriz é um mapa
Desenhando outro caminho
Ergue-te, alma ferida
Mesmo coberta de dor
Das cinzas nasce o grito
Que desafia o medo e o amor
Eu não sou só a queda
Sou o eco depois do fim
Entre sombras e luz quebrada
Ainda estou aqui,
De pé dentro de mim
Se o céu fechar as portas
Eu aprendo a respirar no escuro
Minha voz treme, mas fica
Meu passo é lento, mas seguro
Não peço absolvição
Nem um milagre tardio
Só o direito de sentir
E de existir no vazio
Ergue-te, alma ferida
O teu nome é resistência
Da dor nasce a coragem
Do silêncio, a consciência
Eu não sou só a queda
Sou o início disfarçado de fim
Entre sombras e luz quebrada
Ainda estou aqui
E não desisto de mim
Elias Vagar
Cedido por: Francisco Fiúza
