Os versos que vivem nas cassetes perdidas de Paris


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A voz branda.

As cassetes perdidas de Paris,

o início de algo belo,

de uma poesia cantada,

apaixonante,

que dá vontade de atar as mãos ao peito trémulo.

A sequência de palavras nesta voz

faz querer perder a mente,

atirá-la para um precipício,

só pelo gosto de ir procurá-la.

Um piano solitário e um acorde

cortante de mãos dadas com a voz forte,

meio whisky sujo,

a intensificar-se,

a crescer.

O cigarro que se fuma dá mais prazer.

Decadência,

correr sem saber.

Os pensamentos,

o fumo que sai da minha boca

balançam no ócio do quarto.

Suja, imunda, podre.

Só porque não devias.

É sempre errado.

Sabe sempre errado beijar uma boca que não tua.

E mais um fio de cera escorre a alma,

Corpos ocos.

Desfazes-te aos poucos

enrolada em fogo.

E queimas lentamente o tempo em que não existes.

 

Ana Martins,

 

16 Janeiro 2014

 

Cedido por: Xana

 

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