Estes lábios
são o vento. Nenhum nome
pode conter os seus limites. Através dele o pólen
emigra, a rosa destrói o seu círculo. Escutamos o seu rumor
nos rios, nas folhas, como se lentamente
respirássemos. Todos os dias
regressa ao longo dos nossos braços, pelas vestes
divididas e abertas.
A areia desenha os seus contornos junta da água:
sobre as ondas, fica repetida
a sua presença. Existe no sangue,
no movimento das sementes
quando pela terra sentimos descer a sua atmosfera
vertical. As árvores
ferem-no e ele fica dividido em múltiplos ramos
de ar: os frutos que vemos imóveis
são o seu peso.
Fernando Guimarães
Cedido por: Xana
