Poética Contraditória

Não digas o que sabes nos teus versos,

Deixa para trás a ciência e a consciência;

Tudo aquilo que em ti não for ausência

São ideais perdidos, ou submersos.

Abandona-te às vozes que não ouves,

E liberta os teus deuses nos teus dedos;

Não busques os sorrisos, mas os medos,

E o que não for ignoto e só, não louves.

Ser misterioso e triste é ser poeta:

Mesmo a luz que palpita nos teus cantos,

É uma imagem heróica dos teus prantos.

Percorre o teu caminho até ao fundo,

E com os versos que achaste, aumenta o mundo.

Não sejas um escritor, mas um profeta.

António Quadros

in Viagem Desconhecida


 



Cedido por: Xana


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