Tu és o meu poema

Poema corrido

A ficar sem alarido

Nesta serra do meu pensamento,

Porção d' encantamento

Plano, denso,

Descampado e extenso.

Corre o vento o recanto

Levantando o perfume, o manto,

Cresço com a flora

A pouca d' agora

Pr' aprumo do que sou

Espalho o que dou.

Fraco, tudo.

Forte, cheio, agudo.

Mago, vilão e grave,

Tudo me sinto. Suave.

Terra esta. Tu,

Que te dás a nu

Deixa-me ser prado teu

Pra que possa este mundo ser o meu.


Lisboa, 31 de Outubro de 2004

 


António Maria


 


Cedido por: António Maria

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