Esvoaça ainda a madeixa dias inteiros ao vento
na fronte tisnada do deus do campo,
sob a camisa aperta o punho
já a ferida aberta.
Por isso resiste, quando o dorso macio das nuvens
voltar a curvar-se para ti,
não te iludas se o Himeto te encher
de novo os favos.
De pouco vale ao lavrador uma erva seca,
de pouco um verão, face à nossa grande estirpe.
E que testemunha afinal o teu coração?
Entre ontem e amanhã balança,
Silencioso e estranho,
E o seu bater
É já a sua queda para fora do tempo.
Ingeborg Bachmann
Cedido por: Xana
