Reflectir letras, no romper do dia
Leves,
Frias,
Enquanto a cidade acordava,
Dos lábios serrados
Palpitavam, letras
Rolando avermelhas
No café homens de noites mal dormidas
Sonhavam, cegamente.
Evocavam a tristeza
Enlouquecidos num olhar
Infinito
Na rua o cheiro podre,
Deixado nos espaços
Por quem correr, na turva manhã
o lago reflectido
Surpreende o terror do dia
E depois desta cidade mais outra e outra
Em gestos sempre iguais,
Onde só a terra remexe e se mistura de dores
Dos que andam de esquina em esquina
Dolorosa poluição que nos atravessa
Entre nódoas de palavras vivas
l.maltez
Cedido por: Xana
