A mancha pode ser um bosque,
Árvores contíguas que eram homens,
criaturas em caules que eram espadas,
gumes cortando a superfície da água
que eram barbatanas dorsais,
quarto crescente, minguante,
na noite, nas bandeiras, na foice,
nas segas em época de colheita,
e depois dos corvos e toupeiras,
poucas sementes deram o pão.
A chuva não caía,
a terra já roubava água às raízes,
a tela, antes o paraíso,
agora um espelho rachado.
Na paleta já só havia uma côr,
cada pincelada, apagava
os versos que queria escerver.
Não resistiu a assinatura.
Um pontapé pode ser uma carícia,
A fúria é que não.
João Nog
Cedido por: João Paulo Nogueira
