Pesadelos

A chuva e o vento ferem bruscamente a minha cara

Ocultando a minha face e transfigurando a minha alma

Como trovões que lentamente marcam o compasso.

O vento seca velozmente a minha face – coisa Rara!

Procuro incessantemente enxergar o que vai para além

Do horizonte que os meus afogados olhos conseguem alcançar.

Nada vejo, tudo é água, tudo é bruma...

Tudo é mágoa e coisa nenhuma.

Somente as mãos dos Deuses , ás vezes surgem ao longe,

E eu temo-as, mas logo se desfazem em liquens e chuvas

Inominadas e.....Não me levam - nem elevam.

Sou um pássaro molhado, sou o que aquelas mãos permitem.

Sou a memória do que fui quando comigo estavas, sou

O desconsolo das noites frias.

Também os meus olhos estão gastos pelo sal das lágrimas.

Sou um reflexo do meu outro eu.

António Maria


 


Cedido por: António Maria

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