Creio que passei pela vida enlouquecido.
Desbravei caminhos, galguei fronteiras,
Abracei os mares e percorri o mundo.
Pelos labirintos da vida passei despercebido,
E porque hoje enfrento a mais penosa das ladeiras
Quero acreditar na eternidade de um segundo.
Quero acreditar amor! No puro! No colorido e
Cordato, no belo e marejado!
Como uma rosa colhida de manhãzinha.
Quero acreditar na verdade de um olhar sensato
Cansado da vida por não ser amado
E acreditar num minuto de amor á tardinha.
Acreditar no colorido do céu nalguns dias de chuva,
No cheiro da terra molhada
E na formosura de um olhar de Outono.
Acreditar na beleza da vida que ás cores se renova
Germinando do solo abençoada e
Olhando o mundo como patrono.
Acreditar que posso viver intensamente,
Viver cada dia como se do último se tratasse
Sem receios de os tornar reais.
Porque sem contar-mos a vida acaba de repente
E por muito quiséssemos que ela ficasse
Concluímos que é tarde de mais.
Avisto ao longe a espada da lei!
A besta! Avisto e brilho e o breu
Mas contra isso, com toda a força, lutarei.
Mas se a espada descer de repente,
Será nas nuvens, e com o meu corpo envolto no teu,
Que te darei o abraço que nunca dei.
António Maria
Cedido por: António Maria
