A ironia deu à luz pecado
agora livre para se sentir tentado
Chuva torna-se ventríloqua silêncio da noite
Nuvens de dúvida
pairam sobre o pesadelo
quando tento dormir cego
A verdade acordou e confessou mentira
Tornou-se ilusão e fantasia
Antes de sucumbir à nostalgia
Comprei-lhe uma nova mente de cabedal
Para substituir a que vendi
Insanidade é glória relembrada
O amor morreu a noite passada
Ninguém deu por nada
Cospe no olho do diabo
A desgraça é o meu deus
Mergulhei-me na chuva
A realidade foi construída no desconhecido
Inventado e enlouquecido
Ainda assim guardamos as lágrimas
A cidade dorme embalada pelos que roubaram paz de espírito
E bebem do copo da esperança
Não é feito de vidro mas de plástico
Esfaqueiam a verdade numa ruela escura
Sequei-me ao ar quente do crime
Senti-me
Um anjo perdeu uma asa
Não consigo sentir a evolução da revolução desta geração
Deixei-me levar pelo vento
A alma acalma
Quando a mente te tenta mentir
e te diz que não pensas em mim
aquecida pela noite sem esperança
Aceitas o caos?
João Diogo Ricardo, Noite na cidade eterna
Johnny Richard
