Frondosa e majestosa era a árvore onde bati
Quando das longas e duras intempéries fugia
E na sua copa me acoitou do frio gélido do além.
Na memória guardo ainda a alegria que senti
Quando por entre o seus ramos zumbia
O vento, o vento a dizer-me....Vem!
Vem! Resguarda-te em mim, no meu sentir
Enfrenta o tempo! Que não mais te cale como calava
Porque d` ora avante serei eu o teu escudo.
Ah triste e mentiroso vento que com o teu zumbir
Me fizeste acreditar que a árvore dava
A voz a quem era mudo.
Mas serviu-se de mim e a minha seiva sugou,
Matou a fome que a devorava e
Com o meu corpo se banqueteou.
Ah! Triste sina, a daquela árvore
Que, para viver, lentamente descarnava
A mão que a alimentou.
Ó árvore como eras forte e como és fraca
Soubeste ser doce e sabes ser desgraçada
E sabes fingir, mesmo que no teu peito
A tua alma se contorça amargurada.
Mas Sorri! Não te amargures,
Já sou outro, não mais o que se rebaixou.
Ouve! Escuta! ....Estes rumores..
..De quem era mudo e falou!.
António Maria
Cedido por: António Maria
