Lágrima

Lágrima minha dolente que de revolta te contrais

E desse oceano em turbilhão desertas

Quando a minha alma de dor enlouquece.

Carregas contigo emoções ora despertas

Na minha face te espraias e libertas

O calor que transportas e o meu rosto aquece.

Aqueces-me o rosto que gela

Ao contemplar no Céu as estrelas

Quando nelas procuro decifrar a sorte que a má sorte me destina.

Quisera eu lágrima donzela

Não descobrir que só decifro dentro delas

O manto boreal da guilhotina.

Manto brilhante e cruel que ao raiar da aurora

Lenta e pausadamente o meu corpo toca

E com um misto de dor e alegria me renova.

Resisti ontem, mas não resisto agora

Liberto-me da dor que me sufoca

Serás para mim a supernova.

Valeste-me tu lágrima dolente

Que com teu espraiar aliviaste

Do meu rosto o sofrimento.

Gritaste comigo: Descende!

Acaba o que começaste

E põe fim ao meu tormento

António Maria

 

 

Cedido por: António Maria

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