Minha gazela esguia de olhar perscruto,
Pintada de mil cores na savana,
E escondida no capim, do predador.
Gostava de voltar a ver o teu saltar astuto,
A delicadeza que do teu correr emana,
Quando, de medo, foges do caçador.
Eu sei que sempre te vou amar.
Eu não queria, juro que não, por Deus e por mim!
Mas tu, meu coração, a minha vontade traíste!
E tu, minha mente insana, força lhe foste dar.
E se hoje choro e mendigo, da vida o fim,
É porque da vontade e do orgulho me despiste.
Mas eu sei que te vou amar.
Hoje e sempre, para meu martírio!
Não tenho em mim o teu olhar.
Quedo e mudo, como prometi, vou ficar.
De mim, não ouvirás nenhum ruído,
Mas eu sei que para sempre te vou amar.
E sempre te vou amar.
Aqui, no além, agora e todo o sempre,
Mesmo entre quatro tábuas deitado.
Sei que para sempre te vou amar,
Agora e todo o sempre, para meu martírio,
Ainda que da vida despojado.
26/04/2006 ás 22H55
António Maria
Cedido por: António Maria
