Rosa-dos-ventos

Ao sul de mim existe um porto


Que não se bebe.


Apenas se pressente.


Me embriaga


E , contudo, não se mede.


Mulher cujo perfume só recordo


Na madrugada fria, ainda doente.


A Norte, porém, quando confessa


Vontades que traz apetecidas


Confesso que me aquece, nessa pressa,


Outras mulheres que cria já esquecidas.


A Oeste bastava outra vontade


Para alcançar a praia repetida


Que outro gesto quisera e de vaidade.


Finalmente, a Leste, a despedida,


Abraço que ficou por acabar,


Palavra de começo e de partida


Que o tempo não deixou acreditar...


Fernando Jácome de Castro Tavares Rodrigues


 


 

Cedido por: Xana

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