Relicário

Indigesto prazer de minh'alma cerrada,


Pequeno corte, como forma de facada...


Por onde corres ó alma trilhada?


'Entre esses caminhos aéreos!!!


Onde permaneço alada...'


 


Amargo prazer siderado,


Alimenta-te do meu corpo esventrado!


 


Doce e nobre petala, de reino acima,


Concede-me uma maneira de mudar este clima!


 


Pois sinto-me abafado, neste calor,


Que me chega de forma indolor,


Pelo meu corpo, como um talento perscrutor...


 


Infindável chama do meu relicário,


Espada mui nobre d'algum templário...


Faz-me sorrir divinamente,


Errar pelas brumas desumanamente,


Alcançar as cores, mas não palidamente...


 


Negro viver do meu pesar...


Concede-me mais uma hipótese de luar,


Mais um pálido e sereno olhar.


Para sofrer com teu humilhar...


 


Jorge Martins


 


 

Cedido por: Xana

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