Uma gota de água repousa na folha,
tão pequena que quase não existe,
mas nela cabe o céu inteiro,
a memória lenta das nuvens
e o silêncio profundo da manhã.
Não tem pressa de cair,
não sabe ainda o caminho,
apenas fica, a brilhar.
Depois escorre, devagar, sem ruído,
como quem aceita desaparecer,
entra na terra com doçura,
mistura-se à raiz e à sombra,
e nesse gesto tão pequeno
ensina a vida a continuar.
Autor desconhecido
Cedido por: Francisco Fiúza
