As pedras frias do umbigo rasgado

Ela é feita de chuva fria


E pedras circulares...


 


Caminha como filha


Da aurora e vai calcando


Os mortos com a sua beleza.


 


Na sua sela um pergaminho


Morto e uma espada em


Diagonal.


Porque vem de mim a força


Da sua tempestade, da sua


Ira, da sua incautelidade.


 


Desci com o sangue a


Subir para a mente perfeita


 


Pequenas pedras caíram dos


Seus olhos e grandes obras


Foram erguidas...


Esfinges com elevadores


Guardadas por lobos com asas castanhas.


 


Não são legiões mas a roupa


Do homem que pede ao barco


Que o leve ao lado de lá.


 


Foram as razões da tua


crudelidade que me fizeram


Cair na terra e beijar


Os teus olhos...


E encostar-me ao umbigo


Rasgado de mil almas


Clamando perdão.


 


O fumo rasga-se negro


Das tuas mãos assim


Como a minha mente,


Te projecta num baile


De máscaras, onde estás

Vestida de raios e queres


Tocar na minha alma por


Um punhado de terra.


 


Jorge Amaro


 


 

Cedido por: Xana

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