A estrada

Os homens, esquecidos

do que não se esquece,

passam distraídos

como se nada acontecesse.

Dos grupos de esquina

escapam-se risadas.

São sonhos pintados de purpurina.

Histórias obscenas de fadas.

Nas palavras que entretêm

nem um suspiro transparece.

E vão, e vêm,

como se nada acontecesse.

Dedos que em assombros

se enclavinham,

poisam, esquecidos, nos ombros

que os adivinham.

Os lábios secos, amarelecidos

por ventos de rancor,

esquecidos,

enunciam teoremas de amor.

Pomo

da estrada

que amadurece.

Como

se nada

acontecesse.

António Gedeão

 

 

Cedido por: Xana

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